Por: João Martinelli, em 26.06.2009 / visualizada : 24
O evento foi organizado via internet e teve o formato de "flash mob", manifestação marcada virtualmente com rápida dispersão.
A organização previa que o protesto se dirigisse para a praça do Relógio, mas o itinerário foi alterado. "Vazou uma informação de que esquerdistas radicais queriam colocar gente no meio da manifestação para iniciar agressões. Por isso, mudamos de última hora", diz Daniel Maurício Magalhães de Paula, 20, aluno do 2º ano de engenharia ambiental, na Escola Politécnica. Não foi registrada nenhuma ocorrência de violência.
Os alunos caminharam do prédio da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) até o monumento a Ramos de Azevedo, próximo à Poli (Escola Politécnica). A passeata seguiu em silêncio, portando folhas de papel com dizeres contra a paralisação na USP, como: "Vá à greve, mas não me chame".
Sob os gritos de "Volta, circular" - pedindo o funcionamento dos ônibus internos da Cidade Universitária - e de "USP, sim; greve, não", por volta das 13h15, o protesto terminou. De acordo com Daniel, as frases não são gritos de guerra, pois a manifestação era pacífica e seria uma incoerência criar hinos.
"Não somos contra todas as pautas da greve. Queremos outra forma de negociação, que não a greve, porque a paralisação é recorrente demais e só afeta os alunos", afirmou Daniel, de megafone na mão, vibrando com a presença do programa de televisão CQC.
Para Hugo Tavares, 21, estudante de letras, o problema, além do "uso indiscriminado da greve" é que o movimento estudantil teve pouco diálogo com os universitários. "Os grevistas apóiam uma pauta que não foi discutida nos cursos", diz.
Docente antigreve na manifestação
O professor de filosofia João Vergílio Cuter compareceu ao "flash mob" e se disse contrário à paralisação. "Existe um aumento da violência nas manifestações, como piquetes ou apitaços e cadeiraços, com pessoas contra a greve sendo retiradas fisicamente. O episódio lamentável da PM [Polícia Militar] no campus foi motivado por essa violência", afirma.
"Também deve acabar essa invasão de prédios públicos. Prezamos a universidade e não admitimos que o prédio seja tratado como o quintal de casa", afirma Cuter. "Ninguém é contra manifestações políticas. Mas a política tem regras. Deve imperar o argumento, a conversa, o diálogo."
"DCE não é representativo"
"Principalmente na FFLCH [Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas], a greve afeta os alunos. Os grevistas impedem as aulas e manipulam as assembleias", opina a estudante de filosofia Raquel Krempel, 23.
A universitária diz não se sentir representada pelo movimento estudantil e afirma que opiniões divergentes da dos grevistas não são aceitas. "Estou com medo de andar sozinha na FFLCH", diz.
Imagem: Simone Harnik/UOL
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