Por: Redação, em 12.08.2011 / visualizada : 708
Era o segundo dia de planejamento do semestre, seguindo o modelo do primeiro : extremamente cansativo e muito pouco produtivo. O ponto de partida daquela manhã fria foi a leitura feita por uma professora, de um texto que acredito que todos conheçam: "O homem e a borboleta", sem indicação de autor,pelo menos na cópia que tínhamos em mãos.
Nele vemos um homem que observando as dificuldades de uma borboleta em sair de seu casulo, resolve ajudá-la despedaçando-o, com uma tesoura. A borboleta sai facilmente, mas com corpo murcho com asas encolhidas, sem condições de voar. Moral da história: mostrar como o esforço é fundamental em nossas vidas. No caso da borboleta, ele é que possibilitaria que ela saísse do casulo fortalecida.
Olhei para o texto e para a realidade de nossa sala de aula, fiz uma nova leitura: o homem é o professor e a borboleta o aluno. Cortar o casulo significa eliminar as dificuldades e olha que a Escola pública é boa nisso: reposições de faltas, classes de aceleração, recuperações contínuas, paralelas, transversais... brincadeira, estas últimas acredito,que não existam ainda.
Resultado de tudo isso: o aluno-borboleta sai do casulo-escola pessimamente formado, quando não analfabeto. A escola dá chances que a vida lá fora não dá. Libertamos um aluno que da mesma forma que a borboleta do texto, é incapaz de voar.
Roberto Rodrigues da Silva - Professor de História da Rede Pública Estadual (Indaiatuba) e Diretor de um Centro de Educação Infantil (Campinas) e colaborador do CAPESP.
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