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Brasil não chegará à meta de Dacar para o analfabetismo

Por: João Martinelli, em 09.09.2010 / visualizada : 83

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Caso a redução do analfabetismo continue no ritmo dos últimos cinco anos, o país não irá chegar à taxa prevista na Conferência Mundial de Educação de Dacar, de 6,7% em 2015. A constatação é de Mozart Neves Ramos, membro do conselho de governança do Movimento Todos pela Educação. O especialista fez o cálculo com base nos dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Municípios) 2009.

Segundo Ramos, vamos chegar aos 6,7% de analfabetismo somente em 2019, quatro anos depois da meta estabelecida. Em 2009, a taxa de analfabetismo ficou em 9,7%.

O especialista aponta que é preciso haver uma mudança de estratégia para a diminuição do analfabetismo nas áreas em que ele mais se concentra: nas zonas rurais da região Nordeste e na faixa etária de 25 anos ou mais. Ele diz que a alfabetização, nesses casos, deveria estar nas mãos dos municípios, que estão mais próximos de áreas mais isoladas do que as secretarias estaduais. "Além disso, é preciso criar mecanismos de estímulo: por que não criar um bolsa alfabetização?", questiona.

"A tendência de evasão [dos programas de alfabetização] é muito alta: você faz a matrícula e depois de um ou dois meses, tem uma perda importante. São pessoas que tem um trabalho pesado na lavoura durante o dia e é muito difícil segurá-las", explica. "A experiência mostra que deve-se fazer um trabalho de formiguinha, em que o alfabetizador vá onde estão as pessoas. Não é só esperar que esses adultos frequentem as aulas, é preciso mantê-los, mostrando como isso pode repercutir não só na vida deles, mas na dos filhos e netos", diz.

Índice de alfabetização

Ramos critica o fato de o país não ter um "indicador nacional de alfabetização". "Quando analisamos a Pnad, que é declaratória, vemos que o percentual de crianças alfabetizadas é alto. Esses dados não batem com os do Inaf (Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional)", diz.

Para o especialista, a Provinha Brasil --exame do MEC (Ministério da Educação) que avalia a alfabetização-- tem mais serventia para os professores do que para os gestores, "que têm a responsabilidade de 'fechar essa torneira'". "Por que [a segunda série] não tem indicador nacional, como tem a 4ª série? É muito longe; às vezes, até lá, o leite já foi derramado", opina.

 

Analfabetismo funcional

Quanto aos resultados do país em analfabetismo funcional --20,3% dos brasileiros é analfabeto funcional--, Ramos salienta que o país precisa incentivar não só a alfabetização, mas a leitura. "É importante que o analfabetismo não acabe no primeiro esforço. O povo lê muito pouco, menos de dois livros por ano. Temos pouquíssimas bibliotecas", diz.

"Hoje, o adolescente usa muito as 'lan houses'. Tem educador que diz que deveriam acabar com elas, mas deveríamos usar esse espaço para promover o conhecimento, assim como todo lugar em que se possa promover os livros", conclui.

Fonte:  porAna Okada, UOL Educação

 




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