Por: João Martinelli, em 25.05.2010 / visualizada : 924
A necessidade da mudança das práticas pedagógicas se dá na escola, na sala de aula, cheias de alunos e de problemas, mas é lá, que a construção o sujeito acontece, e se mudanças são pensadas em acontecer, é na sala de aula que se podem encontrar respostas.
Mudar é um movimento difícil. É necessário uma sequência de acontecimentos que acarretem vagarosamente uma peculiar ruptura com alguns modelos que estamos acostumados, às vezes, estigmatizados, e que corrompem a prática educativa.
Cada ser humano carrega consigo inúmeras experiências vivenciadas e até mesmo imaginárias, que constituem seu conhecimento pessoal, e essa busca intrínseca de sua evolução como espécie humana, caracteriza-se pela adaptação de espaços e tempos, dentro de um grupo social e uma região etnograficamente estabelecida. A cultura caracteriza padrões e a sua reprodução carrega a história humana. Logo, a repetição de valores acaba se tornando uma característica, quase que natural, da espécie. Com isso, é difícil romper com valores e tendências que, quase imperceptivelmente, ainda reproduzimos, a cada instante em nossas vidas: seja no trabalho, na escola, na família. Enfim, essa produção cultural se transforma com os avanços tecnológicos, culturais, científicos, e como a ciência e a história se constituem diariamente, toda essa herança cultural também se transforma, levando o homem se adaptar e se transformar, ou quem sabe até, às vezes, evoluir.
O diálogo, entre os saberes da humanidade e a educação, pode acontecer para transformar o ser humano, sua capacidade de reflexão sobre sua própria existência e sua existência como sujeito social, do exercício como pessoa, como cidadão. É preciso sair da imparcialidade do educar tradicional para a construção artesanal do conhecimento do homem, e não apenas, do ensino do que os homens do passado fizeram. O educando precisa perceber que é parte desses ativos culturais, e que faz história hoje, em sua história de vida, em sua família, em sua escola, em sua comunidade. Que o que acontece em tempo presente é o que será a história para o futuro, contudo, pensar no passado e perceber que modelos educacionais deixaram de ser da forma que eram, é indubitavelmente, uma capacidade de reflexão e auto-reflexão dos envolvidos do processo de ensino-aprendizagem.
Transformar é um processo que acontece dentro de cada um, e cada um em seu tempo. É como se um dia acordássemos sem enxergar, e tivéssemos de conviver com a falta do que tínhamos antes. O adaptar, o buscar novas alternativas, novos “olhares”, ou múltiplos “olhares” para si e para o outro, na construção do próprio EU. É um incansável processo de adaptação, transformação e socialização humana.
A necessidade da mudança das práticas pedagógicas se dá na escola, em nossas salas de aula, cheias de alunos, problemas, falta de estrutura, falta de motivação, vandalismo, depredação, violências das mais variadas, mas é lá, que a construção o sujeito acontece, e se mudanças são pensadas em acontecer, é na sala de aula que se podem encontrar respostas. E através do diálogo com os alunos, que podemos negociar uma nova prática pedagógica. Nossos alunos são diferentes dos alunos do passado, e os do futuro serão ainda mais. A vida é viva e tudo que se constrói a partir dela é viva, apenas enquanto durar. Vamos fazer valer cada momento dessas nossas vidas, e do que efetivamente, fazemos com ela.
Marcus Tadeu Meneghelo - Pedagogo e Especialista. Professor Titular da Rede Estadual de São Paulo. Professor Coordenador Pedagógico. Mestrando em Educação – Universidade Metodista de São Paulo.Coordenador de Cursos Preparatórios para Concursos Públicos e OAB no ABC.
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