Por: João Martinelli, em 18.05.2010 / visualizada : 417
Uma construção meio desconjuntada, seis salas desiguais, dois banheiros e uma cozinha ao redor de um imenso refeitório.
Quem passa pela avenida, vê apenas um conjunto de mourões coloridos, pois, a escola foi erguida abaixo do nível da rua. Uma obra de dezoito anos, quando não se pensava em sala de reuniões e biblioteca. Acredito que fosse a crença de que já que a educação infantil, não alfabetiza , para que livros?
Estamos em um centro educacional municipal de educação infantil, nome imponente para o que a população chama simplesmente de creche ou escolinha. Uma construção cercada de verde e pintada de azul e branco.
Falei em um imenso refeitório?
Coloque imenso nisso, só de pé direito, mais de dez metros. Sempre comento que quem projetou, estava acostumado a desenhar hangares, afinal de contas a escola não fica muito distante do aeroporto de Viracopos, o que não iria diferir muito do estilo de lá.
Um quadro de mais de quarenta profissionais entre; gestores, professores, monitores, funcionários da limpeza, cozinha e segurança somados à estrutura voltados para atender um grupo extremamente importante e exigente: cerca de 200 crianças de zero a seis anos incompletos.
Observá-los na entrada pela manhã é um espetáculo à parte: rostinhos de sono, com suas fraldas de pano amarradas às chupetas, deitados nos carrinhos ou caminhando das peruas escolares — com toda seriedade própria da idade — como verdadeiros sonâmbulos!
Cena que faz com que mais uma vez eu me lembre de Millôr Fernandes: ”Criança é esse ser infeliz que os pais põem para dormir quando ainda está cheio de animação e arrancam da cama quando ainda está estremunhado de sono”.
Pouco depois já estão despertos, alguns até demais. Vê-los correndo, principalmente na saída, com suas mochilas coloridas maiores do que eles fazem com que eu volte a pensar reparando mais uma vez para o imenso refeitório, percebo que o projetista não estava errado.
Olhando para aqueles pequenos, correndo em disparada — não para as mães, mas sim para longe delas, que precisam de fôlego para acompanhá-los — percebo que parecem aviõezinhos, aquecendo seus motores, preparando-se para decolar.
São os ensaios para os primeiros vôos da vida, que sem dúvida começam por aqui nesse imenso “hangar”, que a população insiste em chamar de creche ou escolinha.
Roberto Rodrigues da Silva -Professor de História da Rede Pública Estadual(Indaiatuba), Diretor de escola de Educação Infantil da Rede Pública Municipal(Campinas) e colaborador do CAPESP..
Centro Associativo dos Profissionais de Ensino do Estado de São Paulo - Todos os direitos reservados |
© Copyright 2000-2008 |
CAPESP-TI