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Usuária do Iamspe relata sua insatisfação

Por: João Martinelli, em 07.12.2009 / visualizada : 348

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Usuária do Iamspe relata sua insatisfação - Clique para Ampliar À Ouvidoria do Iamspe,

     Quero aqui registrar minha insatisfação quanto ao sistema de atendimento do Iamspe no Litoral Sul, mas sobretudo quanto ao atendimento no CEAMAS, que funciona na rua Vahia de Abreu, 86, Boqueirão, em Santos.

    Moro na cidade de Itanhaém, litoral sul de São Paulo, tenho 55 anos, sou professora da rede pública estadual de ensino há 22 anos e comecei minha "via crucis" marcando uma consulta com um clínico geral na cidade de Mongaguá, a mais próxima da cidade em que moro. Não há na minha cidade clínico credenciado pelo Iamspe. Esse médico me pediu vários exames, como de praxe. Só que não há laboratório credenciado por perto. Fui a Santos, na Santa Casa, que fica a 1 hora e meia da minha cidade.

Além dos exames que são feitos na Santa Casa eu tinha uma guia do médico pedindo um eletrocardiograma com laudo e outra guia para um RX de tórax. Liguei para o CEAMAS antes de sair da minha cidade para saber como e onde eu deveria fazer tais exames. Informaram-me por telefone que eu deveria passar no endereço que já citei acima, portando as guias, para que todos os exames fossem autorizados. Questionei essa necessidade, já que eu precisava estar na Santa Casa em jejum e comuniquei que eu não moro em Santos e não tenho automóvel, o que dificulta o acesso e o trânsito pela cidade. Fica difícil dar uma passadinha lá e depois, ainda em jejum, pegar um ônibus e me dirigir ao local de coleta de material para exames. Resolvi, por minha conta, ir direto à Santa Casa tentar fazer os exames, sem a autorização que, segundo o atendente do CEAMAS era necessária. Deu certo. A autorização não foi necessária.

Em seguida me dirigi de ônibus até a Vahia de Abreu, local onde o eletrocardiograma deveria ser feito, segundo informação por telefone.

    Quando cheguei um dos atendentes me indicou a sala de enfermagem e disse que eu levaria o resultado do eletro comigo, naquele dia mesmo.

Dirigi-me à sala de enfermagem e fui informada que não seria possível fazer o mencionado exame naquele dia porque eles estavam sem bobina do papel onde o exame é registrado. Argumentei que eu era de longe e que eu não podia ficar assim à disposição, que seria complicado eu me organizar pra voltar outro dia. Informei que não sou aposentada e que estava ali  perdendo dia de trabalho na escola. Disse ainda que havia ligado no dia anterior e a pessoa que me atendeu me garantiu que eu faria o exame naquele dia. O mínimo que eu esperava era que eles estivessem preparados para realizar o tal exame. Pedi para falar com a pessoa que administra aquele ambulatório. A enfermeira disse que ia falar com essa pessoa e que se ela a liberasse iria "lá" buscar a tal bobina para fazer o exame. Aguardei. Ela foi e o exame foi feito. Mas só que havia mais um problema, o médico havia pedido o resultado do exame com laudo e não havia cardiologista no local para elaborar e assinar esse laudo. Foi-me dito que o cardiologista está de férias e só voltará em janeiro. Fiquei perplexa. Diante da minha perplexidade vários atendentes, que tinham informações desencontradas, passaram a tentar resolver o problema. Uma das pessoas que conversavam a respeito "bateu o martelo":  afirmou que o diretor havia dito que  iria assinar os laudos até o cardiologista voltar. Só que eu teria que passar lá num outro dia para buscá-lo. Fui orientada a ligar antes.

    Havia ainda o pedido para o RX de tórax. Fui informada naquele momento que esse RX não era feito ali, mas no Hospital Guilherme Álvaro, ali em Santos, e que isso seria feito pelo SUS. Foi-me solicitada a carteirinha do SUS, felizmente eu a tenho. Disseram que eu deveria esperar por uma vaga e que esperasse uma ligação deles pra me avisar em que dia isso seria feito. Perguntei se eles não poderiam vincular a data do RX à data em que o Eletro estaria com o laudo assinado e com a data que havia sido marcada para eu ir buscar os exames na Santa Casa (dia 04/12), para que eu pudesse fazer tudo num dia só. Consideraram que isso seria difícil, que era pra eu ligar e eles iam ver o que podiam fazer.

    No dia 30/11, segunda-feira, um dos atendentes me ligou e disse que havia conseguido uma vaga para o RX no dia 09/12. Perguntei se não haveria possibilidade de mudança para o dia 04/12 e ele disse que era impossível porque as vagas eram disponibilizadas pelo Guilherme Álvaro e eles mandavam a listagem no início de cada semana, mas que ele iria autorizar e deixaria no meu prontuário. Se eu decidisse era só passar por lá. Além disso, ainda tinha a questão do horário (8h). Para estar no Guilherme Álvaro nesse horário tendo que antes passar no CEAMAS para pegar a guia autorizada eu teria dificuldade. Ele disse que não havia outro jeito.

    No decorrer da semana consegui uma carona para estar lá no dia 09/12 bem cedo, já que verifiquei que poderia retirar os resultados dos exames de laboratório na Santa Casa até 30 dias após a realização dos exames, que ocorreu dia 25/11/2009. Liguei hoje, 4/12,  para o CEAMAS para me certificar de que no próximo dia 09 eu resolveria tudo. Passaria lá bem cedo, antes das 8h, de posse da guia autorizada iria para o Guilherme Álvaro. Imaginei que voltaria para Itanhaém com o RX de tórax, com o eletro e respectivo laudo assinado e com os resultados da Santa Casa em mãos. Eu havia me organizado para perder apenas um dia de trabalho e para racionalizar os meus gastos com transporte, alimentação, etc.

    Liguei hoje, 4/12,  para ver se estava tudo certo. Ainda bem que liguei! Não está nada certo, o diretor, segundo quem me atendeu, não vai mais assinar os laudos dos eletrocardiogramas, o que significa que devo esperar até janeiro para ter o resultado do eletrocardiograma. Além disso, o meu nome não foi mandado na listagem do dia 09/12 para o Hospital Guilherme Álvaro. O atendente me disse que agora só para o dia 14/12. Estou indignada com a falta de organização, de racionalidade e de agilidade no atendimento que é dado ao usuário do Iamspe, que paga pelo atendimento. Nada é de graça! Pago o Iamspe há 22 anos! Fiquei afastada um ano e meio pela Lei 202 (afastamento sem remuneração), mas recebia todos os meses um boleto para pagar o Iamspe e o extinto IPESP. Todos esses anos o IAMSPE tem sido pago por mim religiosamente. Considero que o usuário do IAMSPE tem direito a um atendimento mais justo.

    Nesse sentido, considero que há necessidade de descentralização maior do sistema, para que todos que pagam esse Instituto tenham um atendimento mais confortável, sem necessidade de grandes deslocamentos. As cidades do litoral sul (Itanhaém, Peruíbe e Mongaguá) estão precariamente assistidas.

    O que percebi no CEAMAS é que não há, por parte dos atendentes, má vontade no atendimento. Os atendendentes são até muito simpáticos, desde que você não aponte as falhas operacionais que vão sendo reveladas a qualquer pessoa que não esteja "acostumada" à precariedade do atendimento, falhas que parecem estar arraigadas culturalmente no atendimento ao funcionalismo público.

    Parece-me que faltam planejamento e cobrança dos gestores desse serviço. Se gasta muito tempo e dinheiro num processo que poderia ser mais ágil. Eu me pergunto e pergunto a vocês da ouvidoria: será malandragem ou incompetência mesmo? Onde está o nó e quem pode desatá-lo?!

    Enquanto isso minhas guias estão lá e eu não sei o que fazer...

    Desde já agradeço e aguardo resposta.

      Sonia Maria de Oliveira 




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